Como fazer uma due diligence imobiliária?

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Por Couto & Sasso Advocacia

Atualmente, qualquer negociação de imóvel exige cautela redobrada. Afinal, como fazer uma due diligence imobiliária que realmente assegure tranquilidade ao comprador e ao vendedor? Você já imaginou adquirir um imóvel e descobrir depois que ele está envolvido em dívidas tributárias ou ações judiciais?

Com efeito, a due diligence imobiliária funciona como um verdadeiro mapeamento jurídico, financeiro e técnico do negócio. Esse processo investiga todos os aspectos que podem comprometer a regularidade da operação, revelando riscos que não aparecem em uma análise superficial. Logo, quem deseja investir com segurança precisa compreender em detalhes como funciona essa etapa fundamental da negociação imobiliária.

O que significa due diligence imobiliária?

A princípio, due diligence imobiliária corresponde a uma auditoria detalhada sobre imóveis, vendedores e compradores. Essa análise minuciosa busca identificar irregularidades jurídicas, fiscais, financeiras e ambientais capazes de inviabilizar a transação.

Assim, mais do que conferir documentos básicos, a due diligence avalia certidões, registros cartorários, histórico dos proprietários e a conformidade técnica do bem. Ou seja, o procedimento fornece uma radiografia completa, permitindo que as partes negociem de forma segura e transparente.

Quais documentos são indispensáveis na due diligence imobiliária?

Sobretudo, a documentação é o alicerce da due diligence. Sem reunir certidões atualizadas e registros oficiais, não existe diagnóstico confiável.

Documentos dos vendedores e compradores:

  • RG, CPF e certidão de nascimento ou casamento;
  • Pacto antenupcial, se aplicável;
  • Contrato social, estatuto ou ata de assembleia (em caso de pessoa jurídica);
  • Certidão simplificada emitida pela Junta Comercial;
  • Certidão de regularidade do CNPJ;
  • Certidões negativas de ações cíveis, criminais, fiscais e trabalhistas;
  • Certidões de débitos tributários em todas as esferas;
  • Consultas em órgãos de crédito, como SPC e Serasa.
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Documentos do imóvel:

  • Matrícula atualizada expedida pelo cartório de registro;
  • Certidão de ônus reais e ações reais;
  • Escritura pública ou contratos anteriores de compra e venda;
  • Certidão negativa de débitos de IPTU, ITR e taxas municipais;
  • Declaração de inexistência de débitos condominiais;
  • Inscrição municipal ou registro no INCRA (para imóveis rurais).

Documentos técnicos e administrativos:

  • Projeto arquitetônico, elétrico e hidráulico aprovado;
  • Alvará de construção expedido pela prefeitura;
  • Habite-se confirmando a conclusão regular da obra;
  • Auto de vistoria do Corpo de Bombeiros;
  • Memorial de incorporação imobiliária, quando aplicável;
  • Georreferenciamento e memorial descritivo em imóveis rurais;
  • Certidão ambiental emitida por órgão competente.

Inclusive, muitos desses documentos possuem prazo de validade curto, exigindo atualizações constantes durante o processo.

Como funcionam as etapas da due diligence imobiliária?

De acordo com a metodologia utilizada em escritórios especializados, a due diligence segue etapas progressivas que garantem uma investigação completa.

1. Levantamento inicial do negócio:

  • Entender objetivos de comprador e vendedor.
  • Mapear riscos preliminares percebidos já na fase de negociação.

2. Coleta de documentos e certidões:

  • Reunir certidões pessoais, societárias e imobiliárias.
  • Organizar em checklist para evitar falhas no processo.

3. Análise jurídica detalhada:

  • Conferir legitimidade das partes para celebrar o negócio.
  • Verificar matrícula e eventuais restrições do imóvel.
  • Investigar ações judiciais em andamento em todas as instâncias.

4. Análise fiscal e financeira:

  • Avaliar débitos tributários municipais, estaduais e federais.
  • Verificar pendências de IPTU, ITR e taxas diversas.
  • Consultar órgãos de crédito para identificar inadimplência.

5. Análise técnica e ambiental:

  • Conferir regularidade urbanística junto à prefeitura.
  • Avaliar licenciamento ambiental e eventuais restrições.
  • Confirmar cumprimento de normas de construção e habitação.

6. Elaboração do relatório final:

  • Apontar riscos identificados e suas consequências jurídicas.
  • Recomendar ajustes contratuais ou exigência de garantias.
  • Sugerir, se necessário, a desistência do negócio.
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Assim, cada fase atua como uma barreira de proteção contra riscos patrimoniais e jurídicos.

Qual a importância do princípio da concentração da matrícula?

Conforme previsto na Lei nº 13.097/2015, todos os ônus, restrições e gravames incidentes sobre um imóvel devem constar em sua matrícula. Portanto, a matrícula se tornou o ponto central de informações, reunindo penhoras, hipotecas, indisponibilidades e ações que afetam o bem.

Todavia, nem sempre a prática acompanha a teoria. Muitas vezes, disputas judiciais ainda não aparecem na matrícula, especialmente quando não existe decisão definitiva. Ainda assim, o princípio trouxe maior segurança ao mercado imobiliário, mas não elimina a necessidade da due diligence completa.

O que acontece após a due diligence imobiliária?

Ao término da investigação, o advogado responsável elabora um relatório conclusivo. Esse documento compila todas as informações coletadas, destaca os riscos jurídicos, fiscais e técnicos e recomenda soluções práticas para mitigar problemas.

Com efeito, o relatório serve de base para tomada de decisão. Caso os riscos sejam leves ou solucionáveis, as partes podem negociar ajustes no contrato, como abatimento no preço, quitação prévia de dívidas ou inclusão de cláusulas de garantia. Porém, se os riscos forem graves, a recomendação pode ser desistir da negociação.

Logo, a due diligence imobiliária funciona como filtro definitivo: ou o negócio segue de forma segura, ou é interrompido antes de gerar prejuízos irreversíveis.

Conclusão

Portanto, quem deseja negociar imóveis de forma segura precisa compreender como fazer uma due diligence imobiliária em todas as suas etapas. Esse processo abrange a análise documental, a investigação jurídica, fiscal e técnica, além da emissão de relatório conclusivo que orienta a tomada de decisão. Ademais, apenas com essa apuração rigorosa é possível reduzir riscos, proteger patrimônio e assegurar que a transação seja concluída de maneira transparente e eficaz.

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