Por Couto & Sasso Advocacia
O que é o ECA digital? Essa pergunta ganhou força com a criação da Lei nº 15.211/2025, que estabelece regras específicas para proteger crianças e adolescentes no ambiente online. Você já parou para pensar como aplicativos, jogos e redes sociais impactam diretamente o desenvolvimento dos menores?
A internet evoluiu rapidamente, mas os riscos também cresceram na mesma proporção. Conteúdos inadequados, coleta excessiva de dados, exposição à violência digital e práticas abusivas exigem respostas urgentes e eficazes do Estado e das empresas de tecnologia.
Diante desse cenário, surge um problema concreto: como garantir segurança digital sem impedir o acesso à informação e à tecnologia? O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente surge justamente para equilibrar proteção, liberdade e desenvolvimento saudável no ambiente digital.

Preparamos este artigo para te ajudar a aprender:
ToggleO que o ECA digital regula na prática?
O ECA digital regula a atuação de empresas de tecnologia que oferecem produtos e serviços acessíveis a crianças e adolescentes. A lei alcança aplicativos, redes sociais, jogos online, sistemas operacionais e qualquer plataforma com potencial de acesso por menores.
A norma define critérios claros para identificar quando um serviço apresenta “acesso provável” por crianças. Ela considera fatores como atratividade, facilidade de uso e riscos à privacidade e à segurança.
Além disso, o estatuto estabelece conceitos importantes, como perfilamento de dados, supervisão parental e monetização digital. Esses elementos ajudam a estruturar um ambiente mais seguro e transparente para o público infantojuvenil.
Quais são os principais deveres das empresas de tecnologia?
As empresas devem adotar medidas de proteção desde a criação de seus produtos. Elas precisam garantir configurações padrão mais seguras, especialmente no que diz respeito à privacidade e ao uso de dados pessoais.
Os fornecedores também devem prevenir o acesso a conteúdos prejudiciais. Isso inclui violência, exploração sexual, pornografia, incentivo a comportamentos autodestrutivos e práticas comerciais abusivas.
Além disso, a lei exige transparência e responsabilidade. As plataformas devem informar claramente riscos, classificar conteúdos por faixa etária e implementar mecanismos que evitem o uso excessivo e compulsivo.
Como funciona a proteção de dados de crianças e adolescentes?
O ECA digital reforça a proteção de dados com base no melhor interesse da criança. As empresas devem limitar a coleta e o uso de informações ao mínimo necessário para o funcionamento do serviço.
A lei proíbe práticas como o uso de dados para criar perfis comportamentais com fins publicitários. Ela também impede o direcionamento de publicidade personalizada para crianças e adolescentes.
Outro ponto essencial envolve o consentimento dos responsáveis. Pais ou responsáveis legais devem autorizar o uso de dados e acompanhar as atividades digitais dos menores.
O que muda nas redes sociais e aplicativos?
As redes sociais devem vincular contas de menores de 16 anos aos responsáveis legais. Essa medida fortalece o controle parental e reduz riscos de exposição indevida.
As plataformas precisam implementar sistemas eficazes de verificação de idade. A lei proíbe a simples autodeclaração e exige mecanismos confiáveis e auditáveis.
Além disso, as empresas devem remover conteúdos prejudiciais rapidamente. Elas também precisam disponibilizar canais de denúncia acessíveis e garantir o direito de recurso aos usuários.
Como funciona a supervisão parental no ECA digital?
O estatuto obriga as plataformas a oferecer ferramentas de supervisão parental acessíveis e fáceis de usar. Essas ferramentas permitem controlar tempo de uso, interações e conteúdos acessados.
Os responsáveis podem restringir compras, monitorar atividades e limitar contatos com desconhecidos. A lei também exige transparência sobre quais controles estão ativos.
Outro destaque envolve a configuração padrão de proteção máxima. As plataformas devem priorizar a segurança desde o início, sem induzir o usuário a reduzir esse nível de proteção.
O ECA digital proíbe práticas abusivas em jogos e publicidade?
A lei proíbe as chamadas “loot boxes” em jogos voltados a crianças e adolescentes. Esse tipo de mecanismo estimula gastos com recompensas aleatórias e pode gerar comportamento compulsivo.
No campo da publicidade, o estatuto veda o uso de técnicas avançadas para influenciar menores. Isso inclui perfilamento, análise emocional e tecnologias como realidade aumentada.
A norma também impede a monetização de conteúdos que explorem a imagem de crianças de forma inadequada. Dessa forma, ela combate práticas que possam gerar exploração ou erotização.
Quais são as penalidades para quem descumpre a lei?
O descumprimento das regras pode gerar sanções severas. As penalidades incluem advertência, multa, suspensão das atividades e até proibição de atuação no Brasil.
As multas podem alcançar até 10% do faturamento da empresa. Em alguns casos, o valor pode chegar a cinquenta milhões de reais por infração.
Além disso, a lei prevê responsabilidade solidária para empresas estrangeiras com atuação no país. Isso garante maior efetividade na aplicação das normas.
CONCLUSÃO
O ECA digital surge como uma resposta necessária aos desafios da era tecnológica, ao estabelecer regras claras para proteger crianças e adolescentes no ambiente online. A lei resolve o problema da vulnerabilidade digital ao impor responsabilidades às empresas, fortalecer o papel dos responsáveis e garantir um uso mais seguro, equilibrado e consciente da internet pelas novas gerações.
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